The Inpatient – Análise

Como tantos outros jogadores de PlayStation 4, também nós somos fãs de Until Dawn. A Supermassive Games criou um jogo de terror eficaz, com excelente visual, muita atenção ao detalhe, e uma estória moldável às decisões do jogador. A saga voltou com Until Dawn: Rush of Blood para PlayStation VR, e é precisamente para o dispositivo de realidade virtual que chega este The Inpatient, um jogo baseado no mesmo universo que Until Dawn, mas passado 60 anos antes.

Convém desde já esclarecer que The Inpatient não requer qualquer conhecimento prévio da saga, já que as ligações reais a Until Dawn são mínimas. O foco desta narrativa é o jogador, um paciente do hospício Blackwood Pines que foi internado com amnésia, e que agora terá de desvendar os segredos desse local, e do real motivo para estar internado. O jogo deve ocupar-vos entre três a quatro horas, e como é muito focado em narrativa, convém não revelar mais sobre a estória.

The Inpatient é um jogo de realidade virtual, jogado na primeira pessoa, mas ao contrário da maioria dos outros jogos, em The Inpatient vão ver o corpo completo da vossa personagem, e não apenas as suas mãos. Podem jogar com o DualShock 4, ou com dois Moves, mas terão de conviver com alguns problemas de colisão. Por exemplo, os braços por vezes ficam presos em objetos e não acompanham o movimento do jogador, o que naturalmente causa alguns momentos estranhos que quebram a imersão. Na verdade tivemos alguns problemas com os controlos. A câmara requer uma boa dose de distância para detetar corretamente os Move, e consegue ser particularmente chato quando não os deteta. Por exemplo, por vezes baixávamos os braços para descansar, enquanto a personagem estava a caminhar, mas assim que a câmara deixava de os detetar, colocava imediatamente um enorme símbolo no ecrã.

Temos no entanto de enaltecer a forma eficaz como a Supermassive Games apresentou os tutoriais, disfarçados na forma de exercícios e questionários quando são internados. Terão opções para os diálogos, e aqui podem escolher entre o tom da voz e o que irão dizer. O jogo tem um truque bastante engraçado, que aproveita o microfone do PSVR. Em vez de escolherem a opção de diálogo, podem dizê-la com a vossa voz, e o jogo irá depois reproduzir a vossa escolha. O movimento é extremamente lento, independentemente do estilo de controlo escolhido, mas enquanto o Move obriga a virar em ângulos fixos, com o DualShock 4 tem liberdade total de movimento. Esta última opção, contudo, só deve ser recomendada a quem tem um estômago de ferro.

Algo que nos causou grande frustração desnecessária, foi a ausência de uma opção para andar de costas. Se passarem por um objeto ou algo de interesse, então terão de dar uma volta de 180º, quando poderiam simplesmente dar dois ou três passos para trás. Esse elemento, associado à deteção nem sempre feliz dos Move, causou-nos uma boa dose de irritação.

Como se trata de uma experiência narrativa, convém que a estória seja boa e eficaz. Na primeira metade do jogo cumpre, e acaba por ser bastante intrigante. Existem alguns momentos sinistros, e a Supermassive criou uma forma original de utilizar as memórias. Vão encontrar objetos que vos permitirão visitar pequenos segmentos das recordações do protagonista, e que terão de tentar compreender.

Infelizmente a segunda parte do jogo é menos interessante, tornando-se numa cópia de filmes de terror ‘filmados com câmara de mão’. Aqui terão de navegar túneis e corredores escuros, lentamente desvendando um mistério que termina sem darem por isso. Quando vimos o final pela primeira vez, nem percebemos que o jogo estava a terminar. Pelo menos podemos elogiar os sustos causados por The Inpatient. A Supermassive Games criou uma atmosfera muito eficaz, que mantém o jogador em suspense, e quando o tenta assustar, normalmente consegue-o. Uma palavra ainda para a excelente qualidade gráfica do jogo.

Depois de terminarmos The Inpatient, ficámos divididos. Por um lado ficou o alívio de já não ser necessário percorrer corredores escuros a passo de caracol, mas a verdade é que não ficámos satisfeitos com os mistérios que ficaram por esclarecer. Embora tenha ficado a sensação de que as escolhas do jogador afetam realmente o jogo, o final em si foi uma grande desilusão. E para dizer a verdade, não temos qualquer intenção de voltar a jogar The Inpatient, ainda que seja uma experiência curta.

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