Catherine: Full Body é mesmo uma versão definitiva

Enverga melhorias que poderiam justificar uma sequela.

Catherine: Full Body para a PlayStation 4 representa a terceira oportunidade que temos para mergulhar nesta surreal experiência e é mesmo uma versão definitiva. Foi em 2012 que a Atlus teve a ousadia de colocar nas lojas Cathrine, com direito a port para PC em Janeiro de 2019 e agora apresenta-te esta versão Full Body para a consola da Sony que apresenta melhorias e novidades que para muitas companhias justificariam uma sequela.

Tendo em conta que falo de um jogo de nicho, é muito provável que se estás a ler isto já jogaste o jogo e sabes muito bem o que esperar dele. Assim sendo, sabes que não existe melhor exemplo de um jogo adulto, irreverente, sensual e absurdamente estranho do que Catherine. Esta versão Full Body apenas quer demonstrar o quão bem envelheceu e que, tal como um bom vinho, fica melhor com a idade. Isso poderá ser o mais surpreendente, verificar que o apelo de Catherine permanece tão firme quanto em 2012.

A Atlus introduziu uma nova personagem nesta versão Full Body, mais finais, diálogos, cenas, funcionalidades e acima de tudo, introduziu uma série de optimizações que o tornam em algo superior e a um mero remaster – é mesmo uma versão optimizada ao extremo e que torna Catherine num jogo mais fluído e divertido. Permanece obscenamente difícil e os seus blocos continuarão a perturbar o teu cérebro mesmo quando estás a dormir, mas os ajustes conferem ao gameplay uma dinâmica maior.

Mais do que um remaster

Full Body permanece o espectáculo inacreditável da Golden Playhouse que provavelmente conheces, com cenas sensuais e constantes alfinetadas à sociedade através das desventuras de Vincent Brooks, um homem cuja fidelidade será testada. A estrutura que alterna entre cutscenes com os momentos principais, os quebra-cabeças na forma de enormes torres de blocos que terás de escalar e o tempo que passas no bar a conversar com outras pessoas permanece, mas tudo foi ampliado ou melhorado. Além da introdução de Rin, a nova personagem que atesta o quão bizarra é a mente de Katsura Hashino, tens mais opções de resposta ( algo que torna o sistema de moral menos evidente), novo modo online e claro, o Remix dos cubos.

Vamos por partes. A introdução de Rin tem efeitos no gameplay, mas é na história que se fará sentir com mais evidência. Ao inserir mais um possível interesse romântico para o baralhado Vincent, a Atlus torna o enredo ainda mais cómico e estranho. Rin é definitivamente uma faceta ainda mais inacreditável de Catherine e um dos principais motivos para te fazer continuar a jogar. Além disso, num jogo que satiriza diversos aspectos do lado mais adulto da sociedade e da interacção humana, a Atlus decidiu ir mais além e aumentou a complexidade do sistema moral.

Quando estás no bar, terás mais respostas para dar no telemóvel e não é tão óbvio o que poderá fazer pender a seta para o vermelho ou azul. O jogo é basicamente o mesmo, mas as novidades dão-lhe um toque fresco e isso foi inesperado. Especialmente porque tens agora o novo modo Remix, que torna a secção de puzzles ainda mais dinâmica. A Atlus introduz assim conjuntos de blocos que ao movimentar um, movimentas todos os que estão unidos. É uma mecânica aparentemente simples, mas que significa uma nova camada nesta tramada série de puzzles infernais.

No entanto, o que melhora verdadeiramente o ritmo são os ajustes no sistema de Undo. Este sistema permite-te recuar um determinado número de movimentos e repensar o que queres fazer. Na versão original, quando cais és forçado a reiniciar o nível ou o checkpoint. Tens de usar o Undo antes de cair ou adeus. O pânico e pressão são fortes, mas a frustração apenas cresce perante o ritmo da experiência. Especialmente na recta final.

Em Full Body, quando cais, o jogo usa automaticamente o sistema Undo e deixa-te recuar movimentos para fazer de forma diferente sem quebrar o ritmo de jogo. É uma mecânica tão simples, mas que torna o gameplay muito mais fluído e divertido. Ao remover o stress adicional do significado de cair, a Atlus não torna Catherine mais fácil, torna-o mais fluído e menos frustrante. Isto é muito importante para a saúde do jogo a médio-longo prazo.

1Os visuais anime e os momentos cómicos equilibram um jogo adulto e atrevido.

Definitivamente surreal

Outras funcionalidades que tornam Full Body numa versão Definitiva e que expande sobre a visão artística original é a vertente Online. Em Catherine: Full Body podes visualizar no ecrã de carregamento quantos jogadores já morreram naquele nível e como, o que reforça a vertente social e a sensação que agora somos todos ovelhas na mesma realidade infernal. Além disso, ainda tens o modo online no qual podes competir contra outras ovelhas. É muito mais do que uma extensão do cooperativo Babel Mode, é uma forma de honrar os mais dedicados fãs e de criar uma experiência competitiva tão surreal quanto o jogo em si.

A base do jogo é a mesma, isso é mais do que evidente pois falamos de um remaster, mas a Atlus foi mais além e criou uma espécie de versão Definitiva que poderá facilmente apelar a novos jogadores, mas também a quem já o jogou. A sua essência permanece, tal como a dificuldade infernal e a surreal narrativa, mas as optimizações e ajustes tornam-no actual, mesmo tantos anos depois do lançamento.

Jogar mais uma vez Catherine nesta versão Full Body foi redescobrir um dos jogos mais ousados, atrevidos e adultos que tive a oportunidade de jogar. Quase oito anos depois do lançamento original, a Atlus poderia ter usado o aprofundar do sistema de moral, remix dos puzzles, modo online e até as optimizações no bar para justificar uma sequela. No entanto, parece insistir em realçar o quão única é esta experiência e entrega-te uma versão definitiva do seu jogo. Catherine: Full Body é o mesmo jogo que provavelmente conheces, mas com uma qualidade que não sabias querer.

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