Gears 5 – Análise – Os ventos da mudança

Quando uma série existe há tanto tempo como Gears of War, há inevitavelmente a necessidade de transformação. Para Gears of War esse processo começou quando a Epic Games vendeu a propriedade à Microsoft que, pouco depois, inaugurou um novo estúdio, The Coalition, para se dedicar exclusivamente ao futuro da série. A primeira entrega do estúdio, Gears of War 4 em 2016, mostrou que a equipa conhecia bem a propriedade e era capaz de dar continuidade ao legado da Epic Games. Já nessa entrega houve desejo de injectar novidades na série, mas na prática, algumas dessas ideias não resultaram tão bem. Com Gears 5, o The Coalition voltou à tábua de desenho para criar uma experiência de Gears of War capaz de agradar aos fãs de longa data e sem perder a identidade, mas que simultaneamente levasse a série para novos horizontes.

Numa jogada de alto risco, o The Coalition decidiu colocar Kait no papel de protagonista. Kait foi introduzida em Gears of War 4, mas o destaque esteve sempre em JD, o filho de Marcus Fenix. Efectivamente, até agora a família Fenix segurava com braço de ferro a franquia de Gears of War, mas esta jogada de risco, que poderia desagradar aos fãs de longa data por retirar protagonismo a personagens familiares, compensou. Pela primeira vez em Gears temos personagens que parecem humanas e não meras caricaturas. Os COGs continuam a ser soldados duros, extremamente corpulentos e corajosos, mas com Gears 5 o estúdio quis reduzir os níveis de testosterona e criar uma narrativa mais relacionável e universalmente apelativa. Para essa missão, a escolha de Kait é perfeita, uma mulher não menos corajosa que os seus companheiros masculinos mas com emoções transparentes e compreensíveis: receio, angústia, exaustão, amor, coragem e vulnerabilidade. São emoções que nunca estiveram tão visivelmente patentes em Gears.

As campanhas de Gears of War sempre estiveram limitadas a corredores: mata inimigos, segue em frente, mata mais inimigos, segue em frente, aparece uma cinemática, mata novamente inimigos e por aí em diante. Inicialmente, Gears 5 segue esta estrutura tradicional, mas assim que chegas ao segundo acto da história, o mundo abre-se. O que o The Coalition fez em Gears 5 pode ser comparado ao que a Naughty Dog fez com Uncharted 4: em momentos específicos da campanha existem áreas grandes com a possibilidade de exploração. Estas áreas não são grandes o suficiente para considerarmos Gears 5 como um jogo em mundo aberto, mas independentemente disso, estas áreas vêm introduzir uma variedade muito necessitada por Gears e que afastam o novo jogo da cansativa estrutura tradicional.

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