Playerunknown's Battlegrounds renasce aos ombros do PS Plus

A Sony incluiu PlayerUnknown’s Battlegrounds nas ofertas do PlayStation Plus de setembro, abrindo as portas daquele que é o principal responsável pela afirmação dos Battle Royale modernos aos milhares de subscritores do seu serviço.

É verdade, Fortnite pode estar nas bocas do mundo e no topo dos mais jogados nas diferentes plataformas, mas foi PUBG quem afirmou e catapultou o modelo atual do género, que foi evoluindo a partir do trabalho de Brendan Greene, criador de um famoso mod para ARMA 2 (depois DayZ), chamado ‘PlayerUnknown’.

Foi a Bluehole, uma companhia sul-coreana, quem deu a Greene a possibilidade, e responsabilidade, de trabalhar as ideias que tinha vindo a desenvolver, transformando-as num jogo independente que reforçava a ideia de um espaço de jogo meritocrático, onde todos partem com condições similares, mas onde há uma tensão crescente e a certeza de morte permanente, sem o risco associado à perda de um grande investimento, como acontece em jogos como Diablo.

Os conceitos centrais do género retiram inspiração de filmes nipónicos, mas confesso que essa inspiração sempre me gerou confusão, Battle Royale já foi associado a diferentes estilos de jogo, já o vi ser usado por jogadores de Super Smash Bros., por exemplo, exatamente porque a sua mecânica nuclear é o ‘last man standing’, um confronto onde vários participantes lutam por um objetivo, sendo o último sobrevivente o grande vencedor.

É certo que o modelo aprimorado por Greene tinha por princípio a busca de recursos que garantissem vantagem aos participantes, em espaços de jogo progressivamente mais curtos, com o gameplay dos shooters como pano de fundo. Hoje Battle Royale é usado mais amplamente, inclusive em estilos que pouco têm a ver com shooters, e por essa ordem de ideias, aquele jogo em que 10 pessoas correm à volta de 9 cadeira, depois 8, 7, etc, também poderia ser baptizado de Battle Royale.

A popularidade de PlayerUnknown’s Battlegrounds não está em causa, no início do verão, com a chegada de uma nova atualização e o início da Season 8 que atirou os jogadores novamente para a Selva de Sanhok, a PUBG Corporation anunciou que o seu jogo tinha vendido mais de 70 milhões de unidades. Há no entanto uma questão importante, se o sucesso de qualquer jogo online depende do tamanho da sua base, no caso de um Battle Royale como PUBG, essa dimensão é condição ‘sine qua non‘, ou seja, é indispensável para o jogo acontecer.

Cada partida de PlayerUnknown’s Battlegrounds coloca até 100 jogadores em confronto no mesmo mapa de jogo, num estilo ‘Deathmatch’ onde à medida que cada um é eliminado, surge o compreensível desejo de poder iniciar outro mapa, onde precisam estar outras largas dezenas de semelhantes imediatamente disponíveis. A pressão é alta, é necessária muito gente.

Plus tem um historial de elevar jogos online a sucessos inesperados.

E é exatamente por isso que o jogo é perfeito para o PlayStation Plus, o serviço de subscrição da Sony, que tem um historial de elevar jogos online a sucessos inesperados. O próprio Fortnite tem muito a agradecer ao Plus, foi ele a porta de entrada de muitos dos seus milhões de jogadores, a Epic percebeu cedo a vantagem de aliar o free-to-play ao modo de jogo Battle Royale, algo que o distinguia de PlayerUnknown’s Battlegrounds, título com um preço fixo e que demorou até chegar à PlayStation 4, consola quer se queira quer não, é líder de mercado na atual geração.

Inicialmente disponibilizado em Beta e acesso antecipado na Steam (março de 2017), PUBG viria a fazer sucesso no PC e Xbox One via Programa Preview, explodindo depois com uma versão mobile lançada em 2018 no Android e iOS. O jogo continua imensamente popular nas plataformas móveis, basta olhar para como têm sido tumultuosas as notícias sobre o seu cancelamento na Índia. O tempo e estratégia custaram a liderança dos Battle Royale a PlayerUnknown’s Battlegrounds. É impossível saber hoje como seria se o jogo da Bluehole fosse lançado gratuitamente na PS4 em 2017, mesmo que isso envolvesse o PlayStation Plus, mas nada nos impede de tentar imaginar.

Ou nem precisamos imaginar! Com a inclusão do jogo nas ofertas de setembro e muitas pessoas ainda a passar mais tempo em casa do que gostariam graças às limitações impostas pela COVID-19, vai ser interessante acompanhar a trajetória do jogo na consola da Sony. Também já se passearam rumores sobre a possível adaptação de PUBG para a PlayStation 5, o jogo não foi o primeiro Battle Royale, mas acreditamos estar cá para ficar e prosperar ao longo de toda uma nova geração.


Antigo residente de Azeroth, mudou-se para o mundo real para poder escrever sobre as coisas que o apaixonam. Desconfia-se sonhar ser super-vilão. Podes segui-lo em @Darthyo.

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